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domingo, 13 de abril de 2014

cachorros obesos

Obesidade, um mal crescente entre os animais de estimação

A obesidade é definida como excesso na quantidade de gordura corporal. Cães e gatos pesando 15% acima do seu peso ideal são classificados como obesos.
Estima-se que a obesidade  seja a principal doença nutricional que acomete cães e gatos, atingindo 25%  a 40% da poupalção destas espécies. Os fatores predisponentes incluem redução no gasto de energia (pouca atividade física),  dieta muito palatável com alta densidade calórica  (com excesso de gordura por exemplo), comida servida á vontade, alimentação com restos de alimento caseiro e fornecimento de  pesticos. Além destes, interferem com o ganho de peso fatores ambientais, taxa metabólica basal,  genética e em cães o sexo e castração.
A obesidade desenvolve-se em consequência de um distúrbio na ingestão de nutrientes e/ou no gasto de energia, além disso algumas condições metabólicas (patológicas) estão associadas com o aparecimento da obesidade em cães e gatos: Hipotireoidismo, hiperadrenocorticismo, alguns tipos de tumores secretores de insulina, hipersomatotropismo.
O estilo de vida sedentário  dos modernos animais de estimação e seus proprietários, podem desempenhar um papel no desenvolvimento  da obesidade. Demonstrou-se que a inatividade é um fator de risco significativo para a obesidade nos estudos realizados tanto em cães como em gatos.
Determinadas raças de cães como Labrador, Cocker Spaniel, Dachshund, Beagle, Collie, Sheepdog, Basset Hound, Golden Retriever e Cairn Terrier tendem a ser obesos, o que sugere um componente genético para a obesidade. Assim como verificou-se  que gatos de raça pura, como o Siamês e o Abíssimo, são  mais magros que aqueles de raças mistas.
O papel da castração no desenvolvimento da obesidade em cães e gatos ainda permanece indeterminado. Embora a redução no gasto energético, possivelmente como resultado de redução na atividade e alterações no metabolismo basal, induzidas por mudanças nas concentrações  dos hormônios sexuais e, sem alteração ou aumento na ingestão de alimento, tenham sido propostas.
Segundo relatos, a obesidade é mais comum em cães mais velhos, contudo um estudo verificou que os cães idosos na verdade demostravam uma redução  na condição corpórea.  A atividade física e a massa corpórea magra podem diminuir com  a idade, resultando em necessidades energéticas mais baixas, de modo que se o consumo de energia não diminuísse apropriadamente, poderia ocorrer um aumento na gordura e no peso corpóreo.
A obesidade é identificada basicamente  pela inspeção visual do animal, pela palpação da quantidade de tecido adiposo no tórax, no dorso e na região pélvica e pela pesagem do animal. Um cão normal deve ter suas costelas facilmente palpáveis  e o contorno corpoal deve ter forma de empulheta quando visto de cima. É mais difícil avaliar a obesidade em gatos, por causa da diferente distribuição de gordura nesta espécie.  Nos gatos pode-se avaliar a circunferência abdominal comparado ao tamanho corpóreo toTal, bem como palpando os depósitos de gordura na região inguinal (virilha)  e pesando o gato. A maioria dos gatos sadios não obesos pesam cerca de 3,5 a 5 kg, com algumas exceções para  gatos com estrutura óssea  ampla. Em geral, gatos acima de 5,5 Kg são considerados obesos.
O proprietário pode perceber as seguintes alterações no animal  obeso:
  • dificuldade em palpar as costelas
  • ausência de cintura visível
  • necessidade de afrouxar a coleira
  • dificuldade para caminhar
  • locomoção vagarosa
  • respiração curta/ofegante
  • animal dormir mais que o normal
Existe ainda o sistema de escore corporal para cães e gatos, que vai de 1 a 5, no qual o score 1 representa um animal extremamente magro, o 3 um animal normal  e o 5 um animal obeso.

O animal obeso deve passar por um exame físico completo, além de exames laboratoriais, incluindo hemograma, urinálise, bioquímicos e em alguns casos  exames hormonais, para avaliar a possibilidade de causa de base levando a obesidade ou doença concomitante.

Complicações da obesidade

Assim como no ser humano, nos cães e gatos a obesidade predispõe á doenças ou agrava as pré-existentes, como por exemplo:
  • expectativa de vida diminuida:  Já foi demonstrado através de um estudo que durou cerca de 13 anos e analisou 48 Labradores (Kealy et al) , que a obesidade diminui a longevidade em cães.
  • doenças osteoarticulares: a obesidade leva a probelmas ósseos em todas as idades do cão.  Cães filhotes de raça grande, com ingesta excessiva de alimento pode desenvolver Osteodistrofia Hipertrófica, além de  piorar sintomas de displasia coxo femoral. A artrite também pode ocorrer, pois a obesidade aumenta a força sobre as articulações, podendo levar a destruição da cartilagem.  Cães obesos podem exacerbar doenças do disco intervertebral piorando o prognóstico. E de certa forma problemas osteoarticulares tendem a complicar a obesidade, pois os animais com dor, ficam mais sedentários devido a restrição de atividade física, instalando um círculo vicioso;
  • distúrbios circulatórios:  a obesidade aumenta o risco de insuficiência cardíaca congestiva  por aumentar as necessidades de perfusão da massa gordurosa desenvolvida;
  • condições respiratórias crônicas: ocorre restrição do volume pulmonar, devido aos depósitos  de gordura intratorácica, assim como deslocamento do diafragma pela gordura abdominal;
  • diabete Melito: cães e gatos obesos podem desenvolver  resistência a insulina endógena, o que pode agravar a intolerância a glicose em animais já predispostos ao diabetes. Os cães podem acabar desenvolvendo diabetes tipo 1 (insulino dependente) e nos gatos obesos pode ocorrer tanto a diabetes tipo 1 como a 2;
  • Hipertensão: em condições experimentais demonstrou que aumentos ou reduções moderadas no peso corpóreo aumentam/diminuem a pressão sanguínea arterial média nos cães.
  • Problemas dermatológicos: tais como dermatite de prega cutânea, seborréia e dermatite por Malassezia podem ser mais comum em cães obesos. Já em gatos muito obesos, podem ter problemas em fazer a limpeza da pelagem através da lambedura corporal.
  • Risco cirúrgico e anestésico aumentado: O risco anetésico depende da técnica empregada, mas pode haver superdosagem de medicação bem como  recuperação anestésica lenta, pode depósito de drogas lipossolúveis na gordura corporal.  O tempo cirúrgico, por exemplos de uma cirurgia de castração em fêmeas(ovariohisterectomia) pode ser muito maior numa cachorra obesa.
Oiutras doenças que podem ser induzidas pela obesidade:  hiperlipidemia, lipidose hepática, pancreatite

Tratamento
O tratamento da obesidade inclui modificação na dieta, exercícios e mudança de comportamento por parte do proprietário.  Para um programa de emagrecimento bem sucedido é necessário 100% da cooperação e aceitação por parte do proprietário, que desempenha papel  essencial no tratamento. Todos os membros da família devem  ser convencidos de que existe  um problema de obesidade no animal de estimação e que precisa ser corrigido.
Antes de iniciar o tratamento da obesidade, é necessário descartar ou confirmar doenças concomitantes que possam estar pioranbdo ou complicando o quadro. Bem como analizar a idade, raça, estilo de vida do animal, tipo de alimento ingerido, frequência de alimentação.  Pois a dieta será  baseada na idade do animal, presença ou não de doenças de base ou concomitantes e o grau de obesidade. O peso ideal, seria o peso do animal por volta de 1- 3 anos de idade, ou seguindo padrões raciais conhecidos (veja no final do artigo tabela com Peso ideal por Raça) .
É contra indicado diminuir a ingestão calórica simplesmente reduzindo a quantidade diária de ração consumida normalmente Fazendo isso, o animal poderá apresentar deficiências  de nutrientes essenciais  e não terá sucesso com o emagrecimento. Em um animal que é negado comida (ou que está comendo menos que o ideal), pode-se desenvolver problemas comportamentais como ansiedade (latir em excesso, busca constante por alimentos...), estress e até agressão.
Portanto o alimento para tratamento da obesidade, é adaptado para esta função, suprindo totas as necessidades do animal, em quantidades ideias e ainda assim provomendo o emagrecimento. Em geral, tais dietas possuem mais fibras em sua formulação (que levam a saciedade) e menos gorduras.
O emagrecimento de cães e gatos deve ter o acompanhamento constante do veterinário, pois perdas  intensas não são indesejadas, podendo levar a consequênias graves ao animais, como lipidose hepática nos gatos. Existe uma porcentagem mínima e máxima desejada de perda semanal, caso o emagrecimento esteja fora do esperado, é feita uma adptação do tratamento.
O animal deve ser pesado semanalmente e reavaliado pelo menos mensalmente pelo veterinário, até completar seu esquema de emagrecimento. O tratamento em geral é longo, pois o desejado é uma perda gradual porém constante de peso, de modo a evitar consequências negativas a perda rápida e/ou consequente ganho de peso após o esquema inicial de tratamento.  Dieta por períodos tão longos quanto 4 – 6  meses (ou até mais)  pode ser necessário. Após aintigido o peso ideal estipulado pelo veterinário, o animal então passa para o programa de manutenção do peso ideal.
Durante o programa de emagrecimento
  • marque consulta com o veterinário para verificar o peso de seu animal leve-o a clínica para o monitoramento regular durante o programa de perda de peso
  • apenas ofereça a seu animal o alimento recomendado pelo veterinário
  • divida a quantidade total de alimento diuário em diversas porções pequenas para ajudar a manter seu animal satisfeito e permitir que a queima calórica ocorra mais rapidamente
  • em vez de restos de comida caseira ou pestiscos, agrade seu animal com pequenas porções de alimento dentro das quantidades diárias permitidas
  • certifique-se de que seu animal não está revirando lixeiras ou caçando para obter comida
  • mantenha sempre água limpa, fresca e abundante disponível
  • aumente o nível de atividade física de seu animal através de brincadeiras e caminhadas regulares
  • caso não haja melhora ou ocorra o retorno dos sintomas, entre em contato com seu veterinário.
Dicas de Exercícios para gatos:
  • estimule seu gato a segui-lo quando você vai de um cômodo a outro da casa, sobretudo se você se deslocar escada acima ou abaixo;
  • Use brinquedos para encorajar  seu gato a brincar ou esconda  comida pela casa para que ele ou ela movimente-se "caçando" o alimento;
  • Acenda um facho de luz de lanterna nas paredes para estimular seu gato a se divertir, caçando-o. As ponteiras usadas por professores em aula são uma ótima opção.
Dicas de exercícios para cães (consulte o veterinário antes de qualquer atividade física)
  • faça passeios regulares com seu cão. Caminhada a passos constantes ajudam ele a perder peso;
  • leve seu cão para caminhar em superfícies diferentes como areia ou água, isto oferece resistância adicional;
  • estimule ele a brincar em casa e no jardim;
  • para cães de raça de faro, caça  muitas brincadeiras podem ser planejadas utilizando estes sentidos, como esconder um pouco de ração dentro de brinquedos apropriados e o estimulando a busca. Frisbees e bolinhas também agradam muitos cães;
  • alguns cães podem se beneficiar de natação;
Nos gatos, tanto machos como fêmeas, a castração não apenas diminui o gasto de energia, como também leva a um aumento no consumo de alimento. Este é o motivo pelo qual o gato castrado tem uma probabilidade 3 vezes maior de se tornarem obesos. Dentro de 48 horas após a castração, os gatos aumentam seu consumo diário de comida (26% nos machos e 18% nas fêmeas). Ao mesmo tempo seu gatos de energia cai em 30%. Assim um gato castrado com uma dieta desajustada  recebem uma alimentação que se tornou rica demais para suas necessidades e eles estocam o excesso  de calorias na forma de gordura. O ganho de peso é rápido, dentro de dois meses seguintes a castração, os machos armazenam duas vezes mais gordura que as fêmeas.  Ao eliminar  a secreção dos hormônios sexuais, a castração altera o equilíbrio de um animal que é raramente obeso na natureza.
O ideal é pesar o gato  uma vez por semana  por 2 meses seguintes a castração, e a seguir 1 vez por mês. Um gato obeso possui a probabilidade 4 vezes  maior de desenvolver diabetes melitus, 3 vezes mais de apresentar problemas articulares, e 2,3 vezes de morrer entre as idades de 8 a 12 anos  Para prevenir o aumento de peso no gato castrado é necessário fornecer  alimentos com pouca gordura, pouco carboidrato copmo o amido, e uma alta proporção de proteína de alto valor biológico contribui para satisfazer o apetite do gato respeitando suas necessidade carnívoras e preservando massa muscular.
Veja a seguir uma tabela com pesos referenciais para algumas raças de cães e gatos. Vale lembrar que os pesos sugeridos são médias observadas, devendo sempre levar em consideração o sexo (machos tendem a ser maiores e mais pesados que as fêmeas) e a linhagem do animal.

Peso ideal Por Raça*
Gatos
Peso
Abissínio
2-4 kg
Maine Coon
5-7 kg
Pelo curto e longo doméstico
3.5 – 4.5 Kg
Persa
4.5 – 5 Kg

Raças Miniaturas
Peso
Bichon Frisé
3-6 kg
Chihuahua
1-3 kg
Dachshund Miniatura
4-5 kg
Maltês
2-3 kg
Pequinês
3-6 kg
Poodle Toy
3-7 kg
Yorkshire Terrier
2-3 kg

Cães Pequenos
Peso
Beagle
8-14 kg
Bulldog Francês
10-13 kg
Dachshund
9-12 kg
Lhasa Apso
6-7 kg
Pastor de Shetland
6-7 kg
Poodle Miniatura
12-14 kg
Pug
6-8 kg
Schnauzer Miniatura
6-7 kg
Scotish Terrier
8-11 kg
Shih Tzu
5-7 kg
West Highland
7-10 kg
Whippet
10-13 kg

Cães Médios

Basset Hound
18-27 kg
Border Collie
14-20 kg
Bulldog Inglês
23-25 kg
Bull Terrier
24-30 kg
Chow Chow
20-32 kg
Cocker Spaniel
13-15 kg
Collie
18-30 kg
Husky Siberiano
16-27 kg
Shar Pei
16-20 kg

Raças Grandes
Peso
Akita
34-50 kg
Bernesse
40-44 kg
Boxer
25-32 kg
Dálmata
23-27 kg
Dobermann
30-40 kg
Golden Retriever
27-36 kg
Pastor Alemão
28-43 kg
Labrador
25-34 kg
Rottweiler
41-50 kg
Weimaraner
32-39 kg

Raças Gigantes
Peso
Dogue Alemão
45-55 kg
Mastiff
80-90 kg
São Bernardo
60-90 kg
Terra Nova
50-70 kg


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